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Diversificação de investimentos: 5 dicas para começar

Não concentrar o seu dinheiro em um único tipo de investimento pode reduzir os riscos e aumentar o potencial de ganhos a longo prazo.
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Existe uma frase que quase todo mundo já ouviu sobre investimentos: não coloque todos os ovos na mesma cesta. Ela está certa, mas fica devendo o principal, por que não explica nem por que funciona, nem até onde funciona.

Diversificar não é necessariamente ter muitos investimentos. É ter investimentos que reagem de formas diferentes ao mesmo acontecimento. Parece um detalhe, mas muda tudo na prática, porque é perfeitamente possível ter 10 aplicações e uma única exposição.

A seguir, entenda o mecanismo por trás da diversificação, quando ela para de funcionar e confira, ainda, cinco dicas para aplicar isso na sua carteira de investimentos.

O que faz a diversificação de investimentos? 

Diversificar investimentos reduz o quanto o seu resultado depende de uma única ação para dar certo.

Vale ser preciso neste ponto: diversificar não aumenta o seu retorno esperado e não garante rentabilidade. Também não elimina a possibilidade de perda, nem faz com que a queda de um investimento seja automaticamente compensada pela alta de outro.

O que ela faz é diminuir a chance de um evento específico comprometer o seu plano inteiro. 

Já concentrar tem o efeito oposto: amplia tanto a expectativa de ganho quanto a perda possível, e aumenta o risco de você chegar a um resultado do qual não consegue se recuperar.

Por exemplo: Se você tem R$ 20 mil em ações de uma única empresa e ela tem um problema grave, o estrago pode ser grande e difícil de reverter. Com os mesmos R$ 20 mil distribuídos entre vários tipos de investimento, o mesmo problema atinge uma fatia menor. Você não deixou de correr risco. No entanto, deixou de correr esse risco de forma generalizada.

Por que isso funciona?

A teoria por trás disso rendeu a Harry Markowitz o Prêmio Nobel de Economia em 1990, e a frase que melhor resume a descoberta é atribuída a ele: “a diversificação é o único almoço grátis do mercado financeiro”.

A expressão faz sentido porque, em investimentos, quase tudo é troca: para buscar mais retorno, você precisa aceitar mais risco. Diversificar é uma das pouquíssimas coisas que melhora um lado sem cobrar do outro.

Se você concentrar tudo em um tipo de investimento com maior retorno esperado, o retorno da sua carteira será o mais alto possível. Porém, o risco é alto. O que Markowitz mostrou é que, para praticamente qualquer carteira concentrada, existe uma carteira diversificada com o mesmo retorno esperado e bem menos oscilação

E tem ainda um segundo motivo: retorno esperado é uma estimativa, não uma promessa. Concentrar tudo no que parece render mais é apostar o plano inteiro em uma estimativa única.

O que você entrega em troca é o extremo. Uma carteira diversificada não vai te dar o ganho de quem apostou tudo em um lugar só e acertou, mas ela também não te dá a perda de quem apostou tudo e errou.

Duas ações do mesmo setor tendem a subir e cair juntas. Tendo as duas, o risco da sua carteira é parecido com o de ter apenas uma, mesmo sendo empresas diferentes. Já um investimento que se beneficia da alta do dólar, combinado com outro que se beneficia de juros altos, por exemplo, se comporta de outra forma: quando um vai mal, o outro não necessariamente vai.

Quando a diversificação para de funcionar?

Esta parte quase nunca é dita, e é ela que pode evitar frustração mais tarde. Existem dois tipos de risco. 

O primeiro é o risco específico: uma empresa que dá problema, um banco que quebra, um setor que entra em crise. Esse dá para diluir, e é o que a diversificação resolve bem. 

O segundo é o risco que atinge o mercado como um todo: uma recessão, um choque de juros, uma crise global. Esse não se dilui. Você pode ter 100 investimentos diferentes e ele continua ali.

Mas depois de certo ponto, adicionar mais aplicações não reduz risco..No dia a dia e na maior parte dos anos, a diversificação faz o trabalho dela. Mas em crises agudas pode ser que quase tudo caia junto, porque a mesma força age em todos os mercados ao mesmo tempo. Foi assim em 2008 e em março de 2020.

É importante que você saiba disso antes, e não durante: se você espera que a diversificação impeça a sua carteira de cair em uma crise, vai concluir que ela falhou quando, na verdade, ela não garante que a sua carteira não irá cair. O que ela evita é a queda profunda que você teria caso tivesse concentrado tudo em uma única aposta que deu errado.

E a razão de isso importar tanto está na matemática da recuperação. Um investimento que cai 50% precisa subir 100% para você apenas empatar. Se cair 80%, precisa subir 400%. 

Chega a um ponto em que a conta simplesmente não fecha dentro do seu prazo. É desse tipo de situação que a diversificação te protege.

5 dicas para diversificar os seus investimentos

1. Comece pela reserva de emergência

Antes de qualquer conversa sobre diversificação, existe um passo que não é opcional.

A reserva de emergência é o que te permite correr risco no resto da carteira. Sem ela, qualquer imprevisto te obriga a resgatar um investimento de longo prazo, e pode ser que isso caia justamente no pior momento possível. Nenhuma diversificação te salva de um resgate forçado na hora errada.

Ela fica em aplicações de liquidez diária e baixa oscilação, e é calculada em meses de custo de vida. A recomendação mais comum é ter pelo menos três meses e, idealmente, seis meses para a maior parte das pessoas. Mas isso varia a depender de cada caso: quem tem renda mais instável ou depende de uma única fonte tende a precisar de mais. O que importa é chegar num valor que te deixe confortável para não precisar mexer no resto da carteira quando algo acontecer.

2. Diversifique por tipo de risco, não por quantidade de produtos

Esta é a dica que separa quem diversificou de quem só comprou mais coisas.

10 CDBs atrelados ao CDI, de 10 bancos diferentes, são 10 investimentos num mesmo tipo de produto. Você diversificou bem o risco de algum banco não pagar, o que é útil. Porém, todos eles dependem da taxa de juros de curto prazo. Ou seja, são 10 aplicações e uma exposição.

Os tipos de risco que valem separar são: juros de curto prazo, juros de longo prazo, inflação, crédito, bolsa e câmbio. Um investimento em cada um desses grupos diversifica mais do que cinco investimentos dentro de um deles. Um exemplo simples: um título do Tesouro Direto atrelado à Selic e outro atrelado ao IPCA reagem de forma diferente, enquanto dois títulos atrelados à Selic reagem à um mesmo elemento.

Vale um alerta sobre a concentração mais comum e menos percebida de todas. Alguém com um objetivo de 10 ou 20 anos à frente e praticamente todo o dinheiro em aplicações de liquidez diária atreladas ao CDI está concentrado, mesmo se sentindo seguro. É uma aposta em que os juros de curto prazo continuem o suficiente por todo esse período.

Se continuar, ótimo. Se cair de forma consistente, o custo não chega de uma vez. Ele se acumula em silêncio, ano após ano, na forma de um dinheiro que rendeu menos do que poderia. 

3. Não esqueça o país e a moeda do investimento

Uma carteira inteiramente brasileira, mesmo bem distribuída entre vários tipos de investimentos, continua sendo uma aposta em uma única economia, uma única curva de juros e uma única moeda.

Essa é a exposição menos intencional do investidor brasileiro e uma das que mais mudam o resultado quando é corrigida. Hoje, existem formas simples de ter parte da carteira fora do Brasil sem abrir conta no exterior, através de fundos, ETFs e BDRs.

4. Use fundos e ETFs como atalho

Você não precisa montar tudo sozinho. Existem dois investimentos que já entregam diversificação dentro de um único produto.

Fundos de investimento: Você compra uma cota e um gestor profissional distribui o dinheiro entre vários ativos, seguindo a estratégia do fundo. 

As vantagens são: você acessa uma gestão especializada, muitas vezes com equipes grandes e décadas de mercado por trás, e investir fica simples, porque toda a movimentação da carteira acontece dentro do fundo.

O outro lado da moeda é que escolher bem importa muito. Fundos cobram taxa de administração e, em alguns casos, taxa de performance. Dessa forma, muitos fundos não conseguem superar o próprio índice de referência ao longo do tempo. 

ETFs: Também são fundos, mas com cotas negociadas na bolsa de valores. A diferença central está na estratégia. Um ETF de índice não tem gestor tentando escolher os melhores momentos de compra e venda. Ele replica a composição de um índice de referência, como o Ibovespa. É justamente por não ter essa gestão ativa que a taxa costuma ser bem menor. 

Existem ETFs de ações brasileiras, de renda fixa, de mercados internacionais, de ouro, entre outros. Desde 2023 também existem ETFs que distribuem rendimentos de forma recorrente: o primeiro do mercado brasileiro foi o Nu Renda Ibov Smart Dividendos (NDIV11), criado pela Nu Asset em parceria com a B3. Ele acompanha um índice de empresas do Ibovespa com histórico consistente de pagamento de dividendos e repassa os proventos aos cotistas mensalmente.

Vale dizer que a isenção de imposto de renda em vendas de ações até R$ 20 mil por mês não vale para ETFs.

5. Diversificar não é pulverizar

Existe um ponto em que mais aplicações passam a atrapalhar, e vale entender o motivo certo.

Pulverizar não zera o seu retorno. O que acontece é que, quanto mais você espalha dentro de um mesmo mercado, mais a sua carteira se aproxima do comportamento médio daquele mercado, só que pagando taxas por um resultado que poderia ser obtido de forma mais barata.

Os custos reais de pulverizar são práticos:

  • Taxas somadas de vários produtos;
  • Aplicações mínimas que te obrigam a diluir demais valores pequenos;
  • Declaração de imposto de renda mais detalhada;
  • Acompanhamento inviável, e uma carteira que você não consegue acompanhar é uma carteira que você não vai manter.

E existe um custo que só aparece com o tempo. Cada investimento é algo a mais que pode piorar sem você notar: um fundo que muda de estratégia, uma empresa que se endivida, um emissor que piora de classificação de risco. A partir de um certo número de ativos, você passa a acumular esse risco sem ganhar quase nada de diversificação em troca.

No Nubank, você encontra um portfólio completo de investimentos, de renda fixa a fundos e ações, selecionado por especialistas para oferecer sempre as opções mais vantajosas para o seu perfil e seu bolso. Pelo aplicativo, é possível acompanhar seu rendimento de um jeito simples e intuitivo.

O que define quanto vai em cada lugar?

Primeiro, o seu perfil de investidor, que determina o conjunto de investimentos adequados para você, e o prazo em que você vai usar o dinheiro, que define o que faz sentido dentro desse conjunto. Prazo se mede em anos, não em tamanho do objetivo. 

Leia mais em: O que é uma carteira de investimentos?

Quanto custa diversificar?

Tem um preço que ninguém menciona: uma carteira diversificada significa que você vai sempre ter na mão algo performando pior que o restante.

Isso não é defeito, é uma característica da própria diversificação. E lembre-se: se todos os seus investimentos sobem e caem juntos, em qualquer cenário, provavelmente são todos a mesma aposta, e você não está diversificando. 

Qual variável tem mais peso em tudo isso? 

Se você está na fase de construir patrimônio, o quanto você consegue investir por mês pesa muito mais no seu resultado final do que a melhor diversificação possível. Aumentar seu aporte mensal é a variável mais importante que você consegue controlar. Mesmo quantias pequenas adicionais de aporte podem aumentar bastante a probabilidade de você atingir seu objetivo.

Diversificação é uma ferramenta importante, mas ela protege o que você já acumulou. E não substitui a acumulação em si.

No fim, diversificar não é, necessariamente, ter muitos ativos, mas não depender de uma única variável.

Se um cenário específico acontecer, quanto da sua carteira é afetado de uma vez?Se a resposta for "quase tudo", você tem uma aposta com vários nomes. Mas, se a resposta for "uma parte", você provavelmente tem uma carteira.

Este conteúdo faz parte da missão do Nubank de devolver às pessoas o controle sobre a sua vida financeira. Ainda não conhece o Nubank? Saiba mais sobre nossos produtos e a nossa história.

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